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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Do Valor do Silêncio

Existe um processualista italiano, Piero Calamandrei, que, ao contar sobre sua experiência na advocacia, diz que pode perceber no juiz a melhor das manifestações de empatia - um sorriso - em uma sustentação oral. E assim ele teve certeza de que iria ganhar a causa. O que ele dizia? "Renuncio à palavra".

Talvez isso valha para quase todas as manifestações orais da vida. Se o adolescente rebelde não teimasse em retrucar aquilo que sua mãe diz, talvez fosse mais respeitado (e ouvido) por ela. E se os grevistas se acorrentassem ao banco e aos postes do centro da cidade em silêncio sepulcral, eu me compadeceria mais de sua causa, porque tanto silêncio sempre fala alguma coisa.


Principalmente quando se abdica dessas rimas fracas.

sábado, 5 de setembro de 2009

No Canto dos Lábios

As circunstâncias tentam me afastar dele. Chuvas torrenciais bem na hora em que eu saio do supermercado sem sombrinha (e de blusa branca), ônibus perdidos por segundos, carregadores esquecidos, coisas importantíssimas perdidas.
Às vezes eu acho que o lado mau do mundo não o quer. Suas próprias manifestações podem afastá-lo em outros. Em excesso, faz mal. Tão querido em nós mesmos, e tão execrado em alguns dos outros.
Ah, mas pode fazer o que quiser...até sem sorrir, ele está sempre comigo. Ácido, suave, corrosivo, mórbido ou bobinho, nada me separa do meu humor.
*
AMOR
Humor
(Oswald de Andrade)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O Mundo é dos que Enxergam

O trocadilho besta do título é fruto do meu péssimo humor. Perdi o ônibus porque estava sem óculos. Cumprimentei um desconhecido alegremente porque estava sem óculos. Tudo isso hoje.

Eu descobri que era míope ainda bem criança, com uns 5 ou 6 anos. Leitora voraz e viciada desde que aprendi a ler (o jeito que eu aprendi cabe em outro post), eu revelei meus erros genéticos muito cedo de tanto forçar a vista lendo gibis no escuro e coisas do gênero. O que eu não sabia é que aqueles óculos, que causavam inveja nos coleguinhas de C.A., seriam bem mais que mero charminho pelo resto da vida.

Como meu grau é relativamente baixo, eu pensava que podia dispensar os óculos e viver feliz para sempre. Cometi esse erro umas três vezes, e o resultado foi uma dor de cabeça literal e um aumento no grau. Resisto bravamente às lentes de contato (pavor de colocar o dedo no olho, pode rir de mim!). Nisso eu descobri que era bem mais dependente deste utensílio nada sexy que se encontra dependurado no meu nariz neste momento.

Mas, pessoa estabanada que sou, vivo me esquecendo deles. A vaidade não me permite cair na night de óculos, causando uma série de incidentes dignos de relato numa stand up comedy (numa distância de 50 metros, sou capaz de chamar urubu de “meu loiro”). Fora aquela cara super interessante que todo míope faz, franzindo a testa e as sobrancelhas para tentar ver alguma coisa. Toda vez que alguém me pede uma opinião na balada, eu já tenho a resposta pronta: Não sei, to sem óculos.

Dia desses, conversando sobre isso, Maria quase me matou de rir. Ela falava que alguém tinha dito que eu era uma pessoa altamente blasé, e ela respondeu na mesma hora que eu não era nada blasé, eu era míope mesmo.

Ah, eu escuto muitíssimo bem. Meu organismo precisava me compensar de alguma forma,certo?
***

Se eu tô alegre/ Eu ponho os óculos e vejo tudo bem
Mas se eu to triste eu tiro os óculos/Eu não vejo ninguém