quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Cibernéticos Anônimos

Que o ser humano é um bicho bobo e dependente, todo mundo sabe. Eu me lembro perfeitamente de quando aqueles bichinhos virtuais estavam na moda e foram proibidos no colégio. Meus pais tomavam conta do meu durante as aulas...isso foi super útil enquanto meu pai não se viciou em alimentar e ligar o ar condicionado do pobre.
O famigerado orkut e o apelo da vida alheia, fazendinhas no Facebook (conheço umas pessoas que varam madrugadas trocando vacas rosas e o escambau), o alarme de mensagem de texto que faz muita gente pular: a grande verdade é que a segunda vida que criamos na esfera virtual reflete a nossa "criança interior", ou algo do gênero. Afinal, isso tudo era para ser uma brincadeira.
Eu só não esperava me sentir como uma mãe desnaturada por escrever pouco...muito menos como uma viúva, diante do orkuticídio do meu namorado!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Procrastinação

Só mais cinco minutinhos!?

Não é à toa que Paciência é o programa mais aproveitado pelos usuários da Microsoft. Procrastinar é uma arte; uma arte que traz culpa, mas ainda assim sublime.

Sublimemente desesperadora.
Será que o dia 4 de novembro poderia chegar logo?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Irracional

Tá certo que os conselhos de quem quer que seja nunca serão os mais apropriados. Ainda mais quando este alguém é uma mulher, ser naturalmente mais complacente: um pecado pode ser compensado com um chocolate a menos. Nenhuma das filhas de Eva pode ser um exemplo de nada; muito menos uma que escreve ao som de rock n' roll.


Quando eu era muito criança, lembro de chegar em casa chorando por alguma daquelas brigas de menininha, do tipo que se reproduz em escalas maiores durante toda a vida (também coisa de mulher: experimente amigos homens e veja se isso acontece com eles). Nesse dia, minha mãe me sentou no sofá e me disse uma coisa banal, mas que eu não me esqueci: não serve de nada os outros gostarem de você, se você não gostar primeiro. E foi fazer um bolo de chocolate, para dissolver a minha mágoa.


O tempo ensina derivadas desse mesmo conselho, como o famoso 'você é sua melhor companhia'. Quando eu achei esse tipo de frase idiota, ela aconteceu e me ensinou tudo de novo. Por isso eu te peço calma, menina.

sábado, 10 de outubro de 2009

Nichteroy,

Escrevo-te de Minas. Talvez eu tenha provocado em você uma certa raiva deste canto do país, certo? É justamente esse o porquê desta missiva: gostaria que entendesses que sempre haverá um espaço teu em mim, estranhamente.

Nunca fui tão mineira quanto sob teus domínios. E, confesso, por vezes sinto tanto frio por aqui que me falta o seu cheiro de mar, seu caos, seus Niemeyers e aquele calor que me oprimia e me queimava numa caminhada de casa ao restaurante.

Mas não te gabes. Tudo aquilo que quis aqui, aconteceu melhor. E sou tudo aquilo que quis ser quando te abandonei.

Preciso ir, querida...estou indo para uma festa. Prometo um brinde à nossa distância.
Um dia nos encontraremos de novo, e, quem sabe, Arariboia terá uma chance nova de me flechar.


Beijos,
Stela


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Neurológica

Tenho precisado pensar em tanta coisa que, por vezes, duvido que tudo aquilo caiba na minha cabeça, fisicamente falando. Os pensamentos me parecem espaçosos, pesados de se carregar. E a mente, mala pesada e estufada, pede um daqueles carrinhos dourados dos hoteis de cinema.

Mas fica a promessa de que o blog será o carrinho daquilo que presta.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Algemas

Ela consentiu aquela algema, com um sorriso nos lábios e uma lágrima dançando no canto dos olhos. Afinal de contas, mesmo feliz, ela não deixava de ser uma grande chorona. Logo saiu mostrando o seu presente para todo mundo, até que uma amiga mais libertina a alertou para o real significado daquilo: isso é para te prender o tempo todo. Ela bem que gostou da ideia.

Olhar para o braço se tornou gesto repetido de lembrança e carinho, com as três estrelas reluzindo seu símbolo preferido. E ela ria muito quando se lembrava das palavras da amiga.

Sem querer, ela não sabia mais onde havia guardado o símbolo do amor que foi construído cuidadosamente, mesmo depois de revirar toda a casa; tinha náuseas de desespero. Entre lágrimas (como deixá-las de lado, hein?), confessou seu medo.

E descobriu que o Amor sobrevive às algemas.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Banalogias Atropeladas

Não precisa ser muito esperto para perceber que eu falo desmedidamente, com alegorias próprias de gestual e tudo o mais. E, mesmo não tendo sempre muita paciência para desfiar o meu rosário, além de gostar de escrever em pílulas, eu sou predominantemente tagarela.

Deve ser por isso que eu não vejo graça nenhuma no Twitter. Pode ser que eu precise dele um dia, mas eu tenho quase certeza de que não vou conseguir me expressar em 140 caracteres.

*

Eu estou gostando taaanto do Maradona em baixa...vingança é um prato que se come frio, e para isso que existem sobremesas geladas e deliciosas.

Em boa hora para levantar a nossa moral no pré-Copa.

*

Li nesses dias uma pesquisa sobre blogs (e cometi a burrice de não salvá-la em lugar algum): ela falava da curtíssima duração de boa parte deles (6 meses já é longevidade).

Mas o que eu acho mesmo é que deveria haver uma pesquisa sobre conteúdo: alguém se esqueceu de desligar a torneirinha de asneiras da Emília! Gente sem originalidade, que escreve pelo puro e simples prazer de encher a boca para dizer que também tem o seu espaço.

Encontrar um bom blog tem sido boa surpresa.

*

"Como é o lugar
quando ninguém passa por ele?
Existem as coisas
sem ser vistas?
(...)
Estrela não pensada,
palavra rascunhada no papel
que nunca ninguém leu?
Existe, existe o mundo
apenas pelo olhar
que o cria e lhe confere
espacialidade?"

(A Suposta Existência, Carlos Drummond de Andrade; trecho)