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terça-feira, 1 de julho de 2008

“Numa moldura clara e simples...”

Finalizando o ciclo de apresentações, fui quase “obrigada” a escrever esse texto. Parece forte, mas se encaixa porque eu tenho fugido de auto-análises ultimamente.

Stela Tannure Leal (mas prefiro usar só o sobrenome materno, que evoca a aridez do Líbano e é mais sonoro); 20 anos; irmãe (neologismo criado para explicar minha complexa ligação com o meu único irmão, de 5 anos), filha, neta, prima, amiga; valenciana de nascimento e juizforana de coração.

Escolhi Juiz de Fora para ser o “lugar onde eu ia crescer” antes de saber qual faculdade eu cursaria. Mas, acasos da vida, no meu ano de vestibular eu prestei exame para a UFF (aquelas coisas do tipo “filha, você não pode fazer um vestibular só”). Como praga de mãe sempre pega, só passei na UFF. Mas a UFJF não virou fumaça... virou teimosia.

Fui para Niterói em 2006, apaixonei de vez pelo meu curso (Direito, eu havia esquecido de mencionar), conheci gente incrível, mas resolvi prestar o vestibular para JF, meio por esporte. Não fui chamada por umas duas questões. Vivi a perplexidade quando vi que tinha chegado tão perto sem ter me preparado. E foi aí que fiz o que um monte de gente acha delírio: tranquei a faculdade e transformei 2007 em ano de cursinho.

Fui embora para JF, estudei horrores, conheci ainda mais gente incrível... e para suavizar as lembranças de um ano que não foi lá muito agradável, eu passei. Recebi a notícia numa manhã de segunda-feira, depois de uma noite inteira em claro, roendo as unhas e perturbando Isabella, outra amiga daquelas que dispensa comentários. E foi o momento mais histérico da minha vida.

Agora estou nas minhas últimas semanas de férias (passei para o 2º semestre), entediada e louca para recomeçar a lidar com aquilo que a vocação escolheu.

Ainda que minha vida, até 2007, tenha girado em torno do meu sonho de cursar Direito na UFJF, consegui não abandonar minha identidade. Sou super família e acho que esse traço se desenvolveu em mim por morar na mesma casa que os meus avós desde que me entendo por gente – determinismo geográfico puro. Filha única até os 15, “adotei” como irmãos os meus primos.

Sou dessas pessoas que tentam conversar, conforme a minha parca paciência me permite. Existem pessoas com as quais eu sinto uma simpatia gratuita (os casos de antipatia gratuita também acontecem). Amigos mesmo, conto nos dedos das mãos; nesses casos, sou de fidelidade canina. Não gosto da palavra “inimigo” e nem acho que eu o seja para alguém.

Minha mãe costuma dizer que eu sou dramática. A culpa é dela mesma: me educou com literatura demais numa família quase que só feminina.

Como esse texto está confessional demais me despeço por aqui...
(Acho que sou mais complexa que pensava!)