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sexta-feira, 4 de julho de 2008

Muletas Linguísticas

Elas são viciantes, marcantes e idiossincráticas. Penetram pelas suas frases, maculam suas conversas, e quando você percebe, todo mundo já conhece o seu vício.

Todo mundo tem uma muleta lingüística: aquele adjetivo ou expressão que é a sua cara e fica pendurado no fim de cada frase. Nos graus mais profundos de dependência, ela está em to-das as frases, e a pessoa acaba por parecer uma caricatura de si mesma, como naquelas esquetes de surfistas onde um diz “e aí, brow?” e o outro responde “sooool”.

Eu, pelo menos, já fui viciada em dizer “nor-mal” (assim mesmo, sílabas bem separadas). Hoje, eu repito com alguma freqüência “fazer o quê, né? É a vida...” ou “bacaaaana”. Todo o meu português certinho cai por terra quando eu cometo uma dessas minhas atrocidades em prol da banalidade das minhas conversas.

O grande problema da muleta lingüística, para mim, é quando ela esconde uma total falta de assunto. Daí ela revela o seu aspecto mais denotativo, de suporte e máscara para uma pessoa que não tem mesmo nada para acrescentar.

Tentando lançar uma campanha para mim mesma: não posso repetir nenhum “conjunto de palavras” mais de cinco vezes ao dia!

"Sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?"