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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Cibernéticos Anônimos

Que o ser humano é um bicho bobo e dependente, todo mundo sabe. Eu me lembro perfeitamente de quando aqueles bichinhos virtuais estavam na moda e foram proibidos no colégio. Meus pais tomavam conta do meu durante as aulas...isso foi super útil enquanto meu pai não se viciou em alimentar e ligar o ar condicionado do pobre.
O famigerado orkut e o apelo da vida alheia, fazendinhas no Facebook (conheço umas pessoas que varam madrugadas trocando vacas rosas e o escambau), o alarme de mensagem de texto que faz muita gente pular: a grande verdade é que a segunda vida que criamos na esfera virtual reflete a nossa "criança interior", ou algo do gênero. Afinal, isso tudo era para ser uma brincadeira.
Eu só não esperava me sentir como uma mãe desnaturada por escrever pouco...muito menos como uma viúva, diante do orkuticídio do meu namorado!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Muletas Linguísticas

Elas são viciantes, marcantes e idiossincráticas. Penetram pelas suas frases, maculam suas conversas, e quando você percebe, todo mundo já conhece o seu vício.

Todo mundo tem uma muleta lingüística: aquele adjetivo ou expressão que é a sua cara e fica pendurado no fim de cada frase. Nos graus mais profundos de dependência, ela está em to-das as frases, e a pessoa acaba por parecer uma caricatura de si mesma, como naquelas esquetes de surfistas onde um diz “e aí, brow?” e o outro responde “sooool”.

Eu, pelo menos, já fui viciada em dizer “nor-mal” (assim mesmo, sílabas bem separadas). Hoje, eu repito com alguma freqüência “fazer o quê, né? É a vida...” ou “bacaaaana”. Todo o meu português certinho cai por terra quando eu cometo uma dessas minhas atrocidades em prol da banalidade das minhas conversas.

O grande problema da muleta lingüística, para mim, é quando ela esconde uma total falta de assunto. Daí ela revela o seu aspecto mais denotativo, de suporte e máscara para uma pessoa que não tem mesmo nada para acrescentar.

Tentando lançar uma campanha para mim mesma: não posso repetir nenhum “conjunto de palavras” mais de cinco vezes ao dia!

"Sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?"