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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Politicagem e Desinteresse

Eu sou um péssimo exemplo de cidadã. Ainda que eu seja estudante de Direito, eu odeio falar sobre política. O assunto me cansa, eu me calo e fico antipática. Sou pé frio, meus candidatos nunca ganham... enfim, não sou a melhor companhia se a pauta da mesa são as eleições. Eu gosto do que vem depois delas: a promulgação de novas leis, a elaboração do orçamento, etc. Coisas que me despertam o interesse, porque consigo entendê-las com mais clareza.

Ainda voto em Valença, embora pense em transferir para Juiz de Fora, onde eu posso perceber o andamento do processo político e suas consequências. De qualquer forma, época de eleição em cidade pequena é coisa curiosa. Todos os candidatos a prefeito são conhecidos, direta ou indiretamente, e numa manhã qualquer de sábado, um deles me encontra na rua, me abraça e me chama pelo diminutivo (e olha que esse candidato bate no meu ombro!). Subitamente, minha casa recebe a visita de um candidato a vereador, e ele força intimidade entrando pela porta da cozinha. Meu orkut está cheio de propaganda política e dá uma vontade enorme de mandá-los todos pastar.

Sinto essa raiva porque não acham que eles estejam dispostos a mudar alguma coisa em favor do povo. Em sua esmagadora maioria, querem a proximidade da máquina pública para o proveito particular. Muitos deles sequer sabem qual é a função do vereador, ou o que pode significar a deliberação do Legislativo; mas sabem direitinho qual será o salário deles. Sujam a cidade com propagandas, poluem nossos ouvidos com músicas cafonas.

Sorte que outubro está chegando... e ainda que eu tenha esse asco todo do período de propaganda eleitoral, nunca deixaria de votar e jamais anularia ou votaria em branco. Resta agora encontrar o trigo em meio a tanto joio...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Princesa da Serra ou Manchester Mineira?

Geralmente, toda pessoa que se muda para uma cidade maior desenvolve uma relação bem estranha com a sua terra natal. Quando fora dela, saudades. Quando nela, tédio.


Sou apaixonada por Valença City, seus paralelepípedos, casas antigas, praças e lembranças de tanta coisa feliz que já vivi por lá. Quando passo em frente à Catedral, consigo me encontrar com as minhas memórias de estudante da Escola Normal, de bailarina da Allegro, de pintora que chorou com o Casarão incendiado ou de várias Festas da Glória.


Mais que a cidade na qual mora a minha família, é o lugar no qual eu cresci, aprendi a ser gente, montei os meus sonhos de hoje. Porém, quando estou por lá, falta alguma coisa. Ainda que nada tenha mudado e eu tenha vários amigos, depois de algumas semanas por lá, existe um buraco em mim. Eu sinto uma vontade desesperada de ir para outro lugar, com mais gente, mais barulho, mais movimento... menos bucolismo.


Em Juiz de Fora, lugar que desperta esse amor inexplicável, eu fico feliz. Muita gente, barulho, movimento, opção; meu apartamento, minha correria, minha dupla jornada de estudante-dona-de-casa. Aí acontece o inesperado: eu me derreto de saudades da minha terrinha. Conto os dias para voltar para casa, arrumo as malas uns dois dias antes, fico me sentindo como uma filha ingrata da “Princesinha da Serra”.


Pego o ônibus ansiosa, antecipo mentalmente cada curva e, estranhamente, sempre faz sol em Valença quando eu chego.


Acho que o problema sou eu.


***


Minha boca procura a Canção do Exílio

Como era mesmo a Canção do Exílio?

Eu tão esquecido de minha terra

Ai, terra que tem palmeiras

onde canta o sabiá.


("Europa, França e Bahia", Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 1 de julho de 2008

Muito prazer, Maria Clara

A melhor maneira de começar um texto como esse é de fato me apresentando então lá vamos nós! Meu nome é Maria Clara de Lima Freitas – sim, adoro o meu nome completo sem ocultar nenhum dos sobrenomes – tenho 20 anos, filha única de uma família de classe média, moro no Rio, mas não sou daqui. Vamos para parte mais complexa.

Sou de Valença, cidade da região serrana do estado, no interior. Morei lá até os 17 anos até que vim parar aqui. Meu pai já morava no Rio desde que eu tinha 8 anos – não, papai e mamãe não são separados – meu pai foi transferido para cidade. Passando essa parte, vamos para o menos óbvio – talvez.

O que me trouxe ao Rio foi a intenção – será? – de fazer medicina e então – sabe-se lá porque – resolvi estudar em um colégio “pesado” na preparação para o vestibular – o nome eu prefiro ocultar, afinal de contas não vou fazer propaganda para um colégio que só tem duas letras. Acabei me adaptando bem a essa cidade, fiz amigos e etc. e tal. Como hoje já sabemos, em um dado momento eu ignorei a medicina e me resolvi pelo jornalismo – está bem, esqueci de mencionar que tinha dúvida entre as duas profissões, ato falho. Entrando na parte mais delicada.

Não sei muito bem o porquê de escolher jornalismo e nem se “resolvi”, de fato, a profissão. De repente porque sempre admirei a figura do jornalista. Talvez por ser absurdamente desconfiada e ter uma certa mania de teoria da conspiração – ok, isso também pode ser entendido como esquizofrenia, psicose ou sei lá o que – gostar de escutar outros pontos de vista – mais ou menos – concluindo, não sei. Pretendo descobrir um dia, quem sabe, ou não?!

Enfim, acho que não é muito difícil perceber que eu tenho muitas dúvidas e quase nenhuma resposta. Eu acho que se eu as tivesse não teria só 20 anos – eu sei que tem muita gente que tem respostas com a minha idade, mas foi mal, eu não tenho, sim talvez seja imaturidade, mea culpa. O engraçado é eu ter que escrever um texto desses justamente quando eu estou passando um período de crise de “meio-faculdade” – sim, a palavra não existe, é só um termo que eu uso com amigos para definir o problema recente. Portanto, nem sempre fui tão cheia de perguntas assim – sou mega, ultra, hiper exagerada, megalomaníaca, mesmo, para ser bastante sincera.

No mais, acho que não me resta mais nada a dizer a meu respeito – até porque, desculpem-me, mas escrever sobre nós mesmos é muito complicado, esquisito e sabe-se lá mais o quê.