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sábado, 10 de outubro de 2009

Nichteroy,

Escrevo-te de Minas. Talvez eu tenha provocado em você uma certa raiva deste canto do país, certo? É justamente esse o porquê desta missiva: gostaria que entendesses que sempre haverá um espaço teu em mim, estranhamente.

Nunca fui tão mineira quanto sob teus domínios. E, confesso, por vezes sinto tanto frio por aqui que me falta o seu cheiro de mar, seu caos, seus Niemeyers e aquele calor que me oprimia e me queimava numa caminhada de casa ao restaurante.

Mas não te gabes. Tudo aquilo que quis aqui, aconteceu melhor. E sou tudo aquilo que quis ser quando te abandonei.

Preciso ir, querida...estou indo para uma festa. Prometo um brinde à nossa distância.
Um dia nos encontraremos de novo, e, quem sabe, Arariboia terá uma chance nova de me flechar.


Beijos,
Stela


terça-feira, 19 de maio de 2009

Chinelo,

Às vezes, acho sua atitude subserviente. Sempre ali, me esperando na entrada do apartamento, só porque te deixei ali. Fica andando debaixo de tudo, e não se importa quando eu te deixo de lado, quando digo que você é inadequado, casual demais, quando te troco por outro, mais ao tom do lugar.

Porém, quando eu chego, lá está você, sem reclamações, um conforto para mim. E todo o cansaço dá espaço a um enorme alívio, graças a você. Você me relaxa e me traz de volta. Só quando te encontro me sinto totalmente em casa.

Você me entende, sabe que nosso amor é proibido. Você não cabe na minha vida, meu bem. Informal de mais para mim, remetendo a bermudas e sol quente: nada como o que eu vivo. De vez em quando, isso me deprime. Principalmente quando sinto aquelas dores que só você sabe curar.

Sei que prometi te levar à praia. Lá é o nosso lugar preferido, né? Caminharemos juntos, tomaremos sol, sentiremo-nos mais à vontade.

E lá, ninguém poderá nos criticar.

Beijos,
Stela

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Stress,

Quando você aparece, sinto palpitações. Por sua causa, eu não tenho apetite, o sono se tornou leve desconhecido, sinto dores, minhas mãos suam. Sinto vontade de gritar o que eu sinto por você, o quanto você mexe comigo. E, meu estômago revira.

Muitas vezes, eu tenho a impressão de que, quando você está comigo, tudo corre mais rápido, e o relógio flui aos atropelos. Você faz com que tudo o que não quero chegue mais rápido.

Eu não sei o que você viu em mim. Por que não se cansa quando vê minhas lágrimas, olheiras, remédios para dor de cabeça? Por que não me larga quando vê que tenho impulsos de me descabelar e socar a mesa? Você me parece tão senhor de si, autosuficiente, sabedor daquilo que é melhor...então, porque faz tudo isso comigo? Que espécie de teste é esse, tão doloroso?

Por isso te escrevo, querido. Peço que me deixe, antes que eu fique louca.

Adeus,
Stela

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Fidelidade,

Todo mundo por aí tem dito que você anda sumida. Que está fora de moda, que seus valores não prestam mais, que os tempos são outros. E isso me dá uma dor enorme, porque sinto saudades de você, tenho medo de que nos distanciemos...mas nada me traz medo como o de uma morte potencial sua.

Você é elegante, sabe? Tem esse ar de que nada pode te atingir...mas as pessoas te criticam tanto, e você continua na sua, ainda que escondida, usando suas joias de prata, ouro, diamante, pérolas e por aí vai.

Eu me sinto bem na sua presença, e nós sabemos que, se você for embora, eu ficaria desnorteada, porque você me conhece melhor que eu. Você sabe o que me faz bem.

Gosto da sua companhia em todos os setores da minha vida. Você está em todos os lugares, para mim. Tudo que é bom começa em você.

Por isso, peço que não me abandone. Nem pelo Arnaldo Jabor, nem pelas mesas de bar, nem pelo Xico Sá, eles que dizem que você não existe. Eles que sofram sem você.

Beijo,
Stela

OBS: Ultimamente, tenho escrito várias "cartas" e as postarei, todas (ainda que não façam muuito sentido, por assim dizer).

domingo, 7 de dezembro de 2008

Ciúme,

Gostaria que esta fosse uma despedida abrupta, mas sei ser impossível. Trabalhei por muito tempo para que você se afastasse, porque sei que nosso relacionamento não é dos melhores.

Te acho alguém sem escrúpulos, que me vem segredando coisas que só você vê. E, logo, estou eu feito uma boba, acreditando nas suas loucuras, contaminada pelas suas idéias.

Eu detesto suas palavras sussurradas, que me provocam lágrimas das mais dolorosas. Queria que você se explicasse ao mundo, e dissesse para todo mundo aquilo que pensa. Mas não. Você prefere cochichar no meu ouvido e me envenenar.

Acho que foi melhor para mim o nosso afastamento gradual: eu fico feliz por não te conferir tanto crédito hoje. Afinal, você é meio esquizofrênico: ouve vozes, sente perfumes e vê coisas. Eu já sofri um bocado na sua mão, passei um bom tempo de mal...mas você continua a me rondar.

Enfim, quero que saiba que eu prefiro você longe de mim. Não, isso seria uma mentira deslavada. Eu quero você por perto, mas que não fale comigo. Fale sobre mim.

Porém, prometa não falar muito.

Um abraço,
Stela

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Calos de Escrever

Adoro letra cursiva porque me parece particular, revelador, quase romântico (a minha, pelo menos, é cheia de voltas e “firulas”). Deve ser por isso que eu gosto de cartas e cartões manuscritos. Ainda que eu me renda às tecnologias do mundo e escreva muito pelo computador (por pura comodidade), eu fico com olhos brilhando quando escrevo à caneta ou recebo alguma coisa marcada pela letra de quem eu gosto.

Quem me lê sempre já pôde perceber que eu sou meio antiquada para várias coisas, e a preferência pela escrita à tinta é só mais uma delas. Talvez seja porque, desde criança, eu seja apaixonada pela letra do meu avô, que mais parece daquelas de convite de casamento, tombadinha para a frente, cerimoniosa. A da minha mãe é pequena e esparramada, como a voz de alguém que fala baixo. A do meu tio é ininteligível, como a timidez de quem quer passar despercebido. Tive um namorado que tinha uma letra tão grande quanto seu ego. Enfim, acredito em exames grafológicos, sem medo de enganos.

Quase sempre escrevo os textos do blog em folhas soltas de caderno. As idéias parecem fluir melhor...escrevo na velocidade do pensamento, rabiscando todo o papel, fazendo mil setinhas e rasuras, trocando a ordem dos parágrafos: no fim, é uma bagunça que só eu entendo, mas fica personalíssimo. E eu adoro olhar p aquela folha e encontrar minha letra cobrindo-a toda –pode soar idiota, mas passa uma sensação de produtividade muito curiosa.

Escrevi tudo isso (à mão, é claro) para relatar o prazer redescoberto de escrever cartas, sem motivo aparente. E tão ridículas quanto as que Fernando Pessoa desdenhou, mas admitiu o ridículo de quem não as escreve...