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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Calos de Escrever

Adoro letra cursiva porque me parece particular, revelador, quase romântico (a minha, pelo menos, é cheia de voltas e “firulas”). Deve ser por isso que eu gosto de cartas e cartões manuscritos. Ainda que eu me renda às tecnologias do mundo e escreva muito pelo computador (por pura comodidade), eu fico com olhos brilhando quando escrevo à caneta ou recebo alguma coisa marcada pela letra de quem eu gosto.

Quem me lê sempre já pôde perceber que eu sou meio antiquada para várias coisas, e a preferência pela escrita à tinta é só mais uma delas. Talvez seja porque, desde criança, eu seja apaixonada pela letra do meu avô, que mais parece daquelas de convite de casamento, tombadinha para a frente, cerimoniosa. A da minha mãe é pequena e esparramada, como a voz de alguém que fala baixo. A do meu tio é ininteligível, como a timidez de quem quer passar despercebido. Tive um namorado que tinha uma letra tão grande quanto seu ego. Enfim, acredito em exames grafológicos, sem medo de enganos.

Quase sempre escrevo os textos do blog em folhas soltas de caderno. As idéias parecem fluir melhor...escrevo na velocidade do pensamento, rabiscando todo o papel, fazendo mil setinhas e rasuras, trocando a ordem dos parágrafos: no fim, é uma bagunça que só eu entendo, mas fica personalíssimo. E eu adoro olhar p aquela folha e encontrar minha letra cobrindo-a toda –pode soar idiota, mas passa uma sensação de produtividade muito curiosa.

Escrevi tudo isso (à mão, é claro) para relatar o prazer redescoberto de escrever cartas, sem motivo aparente. E tão ridículas quanto as que Fernando Pessoa desdenhou, mas admitiu o ridículo de quem não as escreve...

sábado, 19 de julho de 2008

Identidade Básica

O nome de alguém é, para mim, muito mais do que um amontoado de letras na identidade. Um nome marca tudo aquilo que se é, do berçário ao cemitério.

Quando converso com uma grávida, uma das primeiras coisas que pergunto é o nome da criança. Já convenci algumas a trocarem os nomes dos rebentos por causa de significados feios ou não-condizentes com aquilo que a mãe queria para o seu filho.

Particularmente, sou apaixonada pelo meu nome. Acho curto, sonoro, tem uma história bonita e um significado quase auto-explicativo. Dona Dione mandou bem, para variar.

Eu meço o interesse das pessoas por mim pelo jeito que elas escrevem meu nome. Quem se afasta de mim, fatalmente passa a escrever meu nome errado. Esquece a simplicidade de “Stela” e passa para “Stella”, talvez confundido pela letra dobrada do sobrenome. Mas quando escreve “Estela”, eu tenho certeza que já estou em último plano, e aquela é só uma gentileza. Coisa de doido, mas costuma corresponder à realidade.

Por outro lado, adoro apelidos. Chamo quase todas as pessoas muito próximas por, no máximo, duas sílabas. Meu avô é Zé (mesmo se chamando Marcio), minhas primas só Te e Li, meu irmão é Dolfo. Ainda assim, meu nome é tão curto que a coisa mais rara é me colocarem algum apelido. O diminutivo me incomoda, porque soa forçado chamar de Stelinha uma mulher do meu tamanho (raríssimas exceções a essa regra existem, particularmente entre os amigos mineiros), e pareço um pouco séria para corruptelas.

Quando meu irmão começou a falar, meu nome foi o último que ele conseguiu. Eu já estava um tanto frustrada com o desprezo dele, mas convenhamos: ”S” mudo não é fonema muito atraente para crianças. Até que, num dia qualquer, ele soltou o grito de “Téa”, libertador para a irmã rejeitada. O Téa virou Téia, e depois Tetéia. E eu ganhei um apelido (em família, frisa-se em neon) quase na maioridade. Acho que isso traduz o fato de que a chegada dele me trouxe um frescor rejuvenescedor que me aboliu do peso de ser filha única...