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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Opiniões Desnecessárias de Férias II

Sobre como o ócio (nada) criativo pode render parágrafos inúteis


Eu não tenho o hábito de ver televisão, porque não gosto, mesmo. Aí me peguei vendo novela nessas férias e me lembrei da 7ª série. Caramba, "O Clone II-Um Pouco Mais para Leste"! E lá vem toda aquela coisa de novo: todo mundo sem-pre-a-mou música indiana, saris e tudo o mais.


Fui comprar uma bijouteria e a atendente da loja estava com aquele brinco da Juliana Paes que se dependura na orelha inteira. Ah, socorro!

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O próximo que vier falar mal de Big Brother comigo, eu acuso de assistir todos os dias. Principalmente, porque eu tenho assistido. Poxa vida, o negócio é a cara das férias: inútil, cheio de gente que só fala batatada, fútil...e com umas festinhas para arrematar. E eu falo sobre o programa com as pessoas mais inacreditáveis!

Para fechar a torneira de asneiras: cara, a Francine É a Margarida do Pato Donald!


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Falando sério agora: tem gente que sofre tanto em vida, que a gente sente um alívio bem fundo quando elas se vão. Aconteceu isso com a minha bisavó (não a que eu disse em outro post, mas outra), que partiu há umas duas semanas.


Para dizer a verdade, ela já tinha partido faz tempo, e só tinha restado por aqui um monte de dor e angústia. Ficou a vontade de tê-la conhecido melhor, e não ter como lembrança só os chochets que ela fez quando eu tinha uns cinco anos (acreditem, ela estava preocupada com o meu enxoval de casamento).


Mas não escrevi para expor meu luto; mesmo porque, segundo o que eu acredito, eu devo ficar é feliz neste momento. Mas porque uma das coisas que eu mais gosto na vida são as surpresas boas. Quando elas vêm em momentos ruins, melhor ainda, porque dá para tirar uma lição bacana e apagar toda aquela tristeza. Pois bem, um domingo triste conseguiu ser um domingo de sol, que eu nunca mais subestimo.


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DA ALMA (Mário Quintana)
"A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe."

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Calos de Escrever

Adoro letra cursiva porque me parece particular, revelador, quase romântico (a minha, pelo menos, é cheia de voltas e “firulas”). Deve ser por isso que eu gosto de cartas e cartões manuscritos. Ainda que eu me renda às tecnologias do mundo e escreva muito pelo computador (por pura comodidade), eu fico com olhos brilhando quando escrevo à caneta ou recebo alguma coisa marcada pela letra de quem eu gosto.

Quem me lê sempre já pôde perceber que eu sou meio antiquada para várias coisas, e a preferência pela escrita à tinta é só mais uma delas. Talvez seja porque, desde criança, eu seja apaixonada pela letra do meu avô, que mais parece daquelas de convite de casamento, tombadinha para a frente, cerimoniosa. A da minha mãe é pequena e esparramada, como a voz de alguém que fala baixo. A do meu tio é ininteligível, como a timidez de quem quer passar despercebido. Tive um namorado que tinha uma letra tão grande quanto seu ego. Enfim, acredito em exames grafológicos, sem medo de enganos.

Quase sempre escrevo os textos do blog em folhas soltas de caderno. As idéias parecem fluir melhor...escrevo na velocidade do pensamento, rabiscando todo o papel, fazendo mil setinhas e rasuras, trocando a ordem dos parágrafos: no fim, é uma bagunça que só eu entendo, mas fica personalíssimo. E eu adoro olhar p aquela folha e encontrar minha letra cobrindo-a toda –pode soar idiota, mas passa uma sensação de produtividade muito curiosa.

Escrevi tudo isso (à mão, é claro) para relatar o prazer redescoberto de escrever cartas, sem motivo aparente. E tão ridículas quanto as que Fernando Pessoa desdenhou, mas admitiu o ridículo de quem não as escreve...

domingo, 31 de agosto de 2008

Água e Sal

Há tempos tenho tentado alinhavar um texto sobre o choro, ação que humaniza e revela tanto sobre a nossa natureza sentimental. Tudo que eu escrevo soa excessivamente confessional, quase piegas.


Tem gente que acha que choro é uma breguice. Julgam-no manifestação de uma fraqueza vergonhosa, que deveria permanecer escondida em algum nó da garganta. Discordo com veemência dessa gente que se engasga, mas não grita.


Quem contém o choro guarda dentro de si a mágoa, a tristeza, a angústia, o cansaço, e isso são só os sentimentos negativos; quem não chora perde a chance de externar com decência o orgulho, a sensação de dever cumprido, a alegria pura e simples. Quem segura tanta coisa deixa de crescer com essas emoções, e um dia a vida cobra de volta tanta oportunidade jogada fora.


Eu não sou emo, mas choro mesmo. Em particular ou em público, despacho minhas lágrimas de acordo com a minha necessidade. Já chorei mais do que choro hoje, ainda que eu tenha no presente mais problemas do que tive anteriormente. Mas ainda me permito ficar com os olhos rasos d’água, e sou grata à minha visão sensível de mundo: ela pode não enxergar tudo, mas tem horizontes extensos.


Porque tem que ser muito gente para chorar.


***

Vem, soleníssima,

Soleníssima e cheia

De uma oculta vontade de soluçar,

Talvez porque a alma é grande e vida pequena,

E todos os gestos não saem do nosso corpo

E só alcançamos onde o nosso braço chega,

E só vemos onde chega nosso olhar.

(Álvaro de Campos- heterônimo de Fernando Pessoa)


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Peço desculpas pelo estado de semi-abandono que eu tenho deixado o blog. A vida de estudante desperiodizada, dona-de-casa, filha saudosa da casa e namorada (sim,namorada!) não tem me deixado muito tempo para escrever. Mas acertarei meus ponteiros com a escrita...

:)