Mostrando postagens com marcador lembrança. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lembrança. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de maio de 2009

Mas eu sei...

O cotidiano endurece, e preenche o coração com compromissos diferentes daqueles que a gente gostaria de assumir. E, num dia qualquer, nós nos damos conta que a nossa adolescência já assumiu contornos de vaga lembrança, que nossas bolsas carregam o que nossas mães carregavam (no meu caso, isso significa um Sonho de Valsa!haha), que nossas preocupações são outras. Mas o orkut é um santo e o telefone toca de vez em quando. Então, vamos levando assim.

Aí, numa manhã besta de sábado, acordada antes do habitual, a MTV me dá um soco no estômago. Por Enquanto. A música que todas nós tínhamos medo simplesmente se tornou realidade. Aquela foto que é o nosso símbolo está na minha parede, rindo para mim de muito longe. Só para piorar, todas nós inocentemente novinhas nela. Bem que eu tentei, mas veio uma avalanche de lembranças. Nossas gargalhadas sem classe, a casa de cada uma, Festas da Glória e o aniversário da Magá no dia seguinte, sonhos que (nem sempre) aconteceram do jeito que planejávamos, longas conversas, a Bizz da Isabella, táxis de fim de festa, os conselhos absurdos que nos dávamos, as letras de música da Canella na minha apostila, nossas duas festas de formatura, nossas espinhas, meu cabelo curtinho, cartas secretas com vários portadores. Tudo isso junto com um nó de marinheiro na garganta. Por um instante, eu quis meus 17 anos de volta.

Mas nada vai conseguir mudar
o que ficou
Quando penso em alguém,
só penso em você
E aí, então, estamos bem...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A Xícara de Louça

Vi esse vídeo um dia desses e me senti dentro dele. O meu objeto preferido, por incrível que pareça, é uma xícara de louça, com o pires, dessas que deviam ser moda lá pelos anos 50. Bibelô de estante. Melhor, ela foi toscamente remendada na asa com cera. Mas sim, é ela a minha preferida.

A tal xicrinha não foi minha a vida inteira. Ela ficava na casa da minha bisavó, de piso de madeira, cozinha de vermelhão e cheiro de sonhos frescos. Eu ia lá todo domingo com os meus avós para visitá-la.

Ela era maior do que aquela casa e que as coisas que viveu. Dessas pessoas que correm mundo sem sair do sofá: entendia de História, Geografia, Astronomia... Com ela, eu aprendi o valor de um livro, assim como o de uma oração feita com verdade.

Há oito anos, eu me vi em frente a uma caixa de coisas dela. E tasquei o que podia para mim (que não tinha muito crédito, por ter treze anos): a tal xícara remendada da estante, colada por ela mesma, com a catarata atrapalhando o conserto.

Delicadeza, carinho, zelo...e um cheiro de sonhos frescos.

domingo, 2 de novembro de 2008

Mesmo que Acabe

Algumas coisas vivem em nós como uma cicatriz: por mais que seja feia ou dolorida, ajudou a moldar aquilo que somos no presente. Essas marcas vivem na alma como algo que pode ser esquecido no cotidiano: mas, a qualquer momento, quando você pensa que elas sumiram, lá vem uma dorzinha chata, como aquelas que afligem as cicatrizes físicas na mudança de tempo (quem nunca ouviu falar de um joelho que dói quando vai chover?).
Já foi dito aqui, pela Maria, que o problema que todos queremos nos sentir indispensáveis. E que lutem por nós, mesmo que desprezemos essa luta. Que nos queiram, mesmo que não queiramos. Que, se não nos amam, que nos odeiem de um ódio profundo e lento. Mas não é bem assim que as coisas funcionam. A intimidade, quando cessa, dá lugar (geralmente) a um conhecimento vago que se dissipa no tempo, até que aquela se torne mais uma história, das que se conta nas rodas de bar: "uma vez eu briguei com uma amiga..." ou "eu tive um namorado que...". Para a gente, é melhor assim, mas sempre existe um desejo secreto que faz com que desejemos que seja pior para o outro, e que, de preferência, ele sofra muito.
Porque, na verdade, somos todos um pouco cruéis. Porém, desumanidades à parte (ou isso seria humanidade em demasia?), tocamos a vida como quem prefere que as coisas sejam realmente assim, e todos seriam felizes para sempre sem as lembranças infelizes, que vêm como uma onda inesperada, numa terça de sol, com uma música qualquer, uma gíria esquecida ou uma notícia desavisada.
O bom disso tudo é que assim podemos lembrar das coisas que fizemos de errado, das neuroses superadas com auto-disciplina massacrante, das dores pretéritas. E é só assim que podemos evoluir, com quelóides que nenhuma cirurgia pode remover.