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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Daquilo que me Contorce

De fato, eu vejo as coisas e tenho ânsias de dar gargalhadas gostosas, e, principalmente, inoportunas. As coisas acontecem de um jeito tão non sense... e eu fico ali no meio, sem reação, segurando a risada, passando por alguém que funciona numa velocidade menor.

Têm me chegado histórias absurdas, sem pé, sem cabeça, e cheias de graça. Algumas meio trágicas, com um puxado de definitivo, de corte. Outras com um quê de vida que seguiu, mas que não deixou de ser irritantemente cômica. Mas todas me causam um riso fundo, ainda que, de tão cômicas, sejam trágicas.

É mesmo, eu devo funcionar lentamente. Meu ritmo é outro, mesmo que, de vez em quando, eu exploda em nervosismo e rapidez. Sou menos agitada que o primeiro olhar revela. O meu pensamento funciona em tramas artesanais. Mas, quando elas ficam prontas, costumam ficar mais elaboradas que aquelas compradas nas lojas.

E eu espero por algumas taças de vinho para rir um pouco mais.

domingo, 2 de novembro de 2008

Mesmo que Acabe

Algumas coisas vivem em nós como uma cicatriz: por mais que seja feia ou dolorida, ajudou a moldar aquilo que somos no presente. Essas marcas vivem na alma como algo que pode ser esquecido no cotidiano: mas, a qualquer momento, quando você pensa que elas sumiram, lá vem uma dorzinha chata, como aquelas que afligem as cicatrizes físicas na mudança de tempo (quem nunca ouviu falar de um joelho que dói quando vai chover?).
Já foi dito aqui, pela Maria, que o problema que todos queremos nos sentir indispensáveis. E que lutem por nós, mesmo que desprezemos essa luta. Que nos queiram, mesmo que não queiramos. Que, se não nos amam, que nos odeiem de um ódio profundo e lento. Mas não é bem assim que as coisas funcionam. A intimidade, quando cessa, dá lugar (geralmente) a um conhecimento vago que se dissipa no tempo, até que aquela se torne mais uma história, das que se conta nas rodas de bar: "uma vez eu briguei com uma amiga..." ou "eu tive um namorado que...". Para a gente, é melhor assim, mas sempre existe um desejo secreto que faz com que desejemos que seja pior para o outro, e que, de preferência, ele sofra muito.
Porque, na verdade, somos todos um pouco cruéis. Porém, desumanidades à parte (ou isso seria humanidade em demasia?), tocamos a vida como quem prefere que as coisas sejam realmente assim, e todos seriam felizes para sempre sem as lembranças infelizes, que vêm como uma onda inesperada, numa terça de sol, com uma música qualquer, uma gíria esquecida ou uma notícia desavisada.
O bom disso tudo é que assim podemos lembrar das coisas que fizemos de errado, das neuroses superadas com auto-disciplina massacrante, das dores pretéritas. E é só assim que podemos evoluir, com quelóides que nenhuma cirurgia pode remover.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Faxinas

Sempre gostei de bagunça. Achava que ela era anti qualquer coisa, tédio, chatice etc. Quebrava as regras. Talvez, isso representasse para mim uma espécie de transgressão.
Mas, em alguns momentos, isso tudo vira excesso, e você se sente perdida.

O meu ultimo mês foi dedicado em por ordem na casa. Botei as lembranças em uma gaveta, as boas histórias em outra e joguei as ruins no lixo. No caminho achei casos mal resolvidos, e respostas esquecidas. Achei que não era justo deixa-las sem um lugar.

No começo pensei em ligar para cada um distribuindo respostas e desfechos por ai, mas lembrei que isso poderia ser por deveras doloroso para mim. Para ser sincera, acho que essas “coisas” mal terminadas, talvez já tenham achado o seu caminho.

Nem tudo precisa de respostas óbvias como sim e não. Existem fatos que as palavras não seriam capazes de encerrar, e talvez se conseguissem, fariam perder toda a complexidade. O que não seria justo, já que enredos sem final, às vezes nos tocam e emocionam bem mais que um previsível the end.

Achei que não era justo encerrar aqueles “turbilhões de emoções” com frases simples, só para não deixar o dito pelo não dito. Por isso achei espaço para essas historias na minha pequena baguncinha. Elas ficaram em uma caixa, junto com as “memórias esquecidas”, mas bem distante das esperanças para o futuro. Porque esse eu espero que seja repleto de encontros e desencontros, choro e riso, homens certos e – porque não – os errados e surpresas, sempre surpresas.