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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Má

Criança tem um jeito particular de ver as coisas. Tudo é enorme, dantesco, exagerado, dramático, derradeiro e definitivo (Certo, a adolescência também costuma ser assim, mas a inocência da infância confere um toque especial).
Eu me lembro de como a minha própria casa me parecia alguma coisa como uma mansão cheia de lugares inexploráveis. Ou como toda lágrima parecia durar para sempre. Ou ainda como as pequenas (ou nem tão pequenas) brigas com a Maria pareciam irreconciliáveis: poxa, ela não consegue entender que a minha Barbie é a mais bonita, não tem como conviver. Ah, a casa dela também era gigantesca.
Nós duas sempre fomos muito diferentes, e até quem não nos conhece e lê os nossos textos pode perdeber isso. Ela sempre foi mais pé no chão, quase pessimista; e eu meio piegas, chorona, sentimental demais.
Hoje, já não acho nem a minha casa nem a dela tão grandes assim; sei que as lágrimas, quando vêm, secam. A minha Barbie pode continuar a ser a mais bonita, mas eu aprendi a ver nossas diferenças como alguma coisa que acrescenta, e muito. Naquela época, nós costumávamos planejar com absoluta certeza um futuro que aconteceu todo diferente.
E, dançando horrores num baile de formatura, eu descubro o quão grande foi a nossa sorte em errar tais previsões.

domingo, 2 de novembro de 2008

Mesmo que Acabe

Algumas coisas vivem em nós como uma cicatriz: por mais que seja feia ou dolorida, ajudou a moldar aquilo que somos no presente. Essas marcas vivem na alma como algo que pode ser esquecido no cotidiano: mas, a qualquer momento, quando você pensa que elas sumiram, lá vem uma dorzinha chata, como aquelas que afligem as cicatrizes físicas na mudança de tempo (quem nunca ouviu falar de um joelho que dói quando vai chover?).
Já foi dito aqui, pela Maria, que o problema que todos queremos nos sentir indispensáveis. E que lutem por nós, mesmo que desprezemos essa luta. Que nos queiram, mesmo que não queiramos. Que, se não nos amam, que nos odeiem de um ódio profundo e lento. Mas não é bem assim que as coisas funcionam. A intimidade, quando cessa, dá lugar (geralmente) a um conhecimento vago que se dissipa no tempo, até que aquela se torne mais uma história, das que se conta nas rodas de bar: "uma vez eu briguei com uma amiga..." ou "eu tive um namorado que...". Para a gente, é melhor assim, mas sempre existe um desejo secreto que faz com que desejemos que seja pior para o outro, e que, de preferência, ele sofra muito.
Porque, na verdade, somos todos um pouco cruéis. Porém, desumanidades à parte (ou isso seria humanidade em demasia?), tocamos a vida como quem prefere que as coisas sejam realmente assim, e todos seriam felizes para sempre sem as lembranças infelizes, que vêm como uma onda inesperada, numa terça de sol, com uma música qualquer, uma gíria esquecida ou uma notícia desavisada.
O bom disso tudo é que assim podemos lembrar das coisas que fizemos de errado, das neuroses superadas com auto-disciplina massacrante, das dores pretéritas. E é só assim que podemos evoluir, com quelóides que nenhuma cirurgia pode remover.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

I'll be There for You

Por mais apertado que seja o dia-a-dia de alguém, quando se quer, há espaço para o outro. Seja esse outro o primo querido que mora em outra cidade, o amigo antigo que vive uma vida diferente da sua, o colega de sala que parece distante em meio à correria das aulas.

Particularmente, acho insuportáveis as pessoas que se afogam nos seus próprios problemas cotidianos e não reservam um minutinho sequer do seu dia para o outro. O tempo delas vale tanto que, com o passar dos anos, elas o terão todo para si e, fatalmente, não saberão o que fazer com ele. Quem está disponível para os outros,cuida de si,porque estes momentos são presente que cicatriza as escaras provocadas pelos movimentos repetidos de cada dia.

Eu sinto a maior vontade de fazer trabalho voluntário: doar meu tempo, meu abraço e meus ouvidos para as pessoas que estão numa situação “pior” que a minha. Mas acho que ainda tenho muito a aprender antes de poder fazer isso.Por enquanto, tento cumprir a minha “missão” sendo tão prestativa com os meus queridos quanto as minhas limitações me permitem.

Ainda que de forma meio atrapalhada, qualquer atenção é válida, reforça os vínculos e desopila o fígado. Um telefonema que aproveita a promoção da operadora de celular transforma o dia. Um depoimento no orkut (daqueles para não serem aceitos) não só informa, como traz sopro de renovação às boas saudades. Lembrar-se do bombom que a pessoa gosta ao passar pela padaria adoça a rotina...
***
OBS:Reservando um minutinho do meu tempo para vir a uma lan house e postar aqui!

sábado, 26 de julho de 2008

Pequenos Sinais dos Tempos

1)Quando você pega o jornal do dia, não vai mais direto para a página dos quadrinhos.

2)Sempre existiram contas a pagar, mas você não as entrega mais à sua mãe. No máximo, pega o dinheiro com ela.

3)Você indica um desinfetante ótimo para suas amigas, ou uma maneira eficiente de espantar as baratas da casa dela.

4)Você nem fica sabendo de festas de 15 anos, mas tem um calendário mental de formaturas pelos próximos 3 anos (preocupada com o dia que os casamentos entrarão no calendário mental =S)

5)Enxaqueca é uma realidade.

6)A sua bolsa deixa de ser um acessório decorativo e passa a carregar coisas úteis, como óculos de grau, chaves, documentos e uma barrinha de cereal.

7)A sua agenda deixa de ser um diário para se tornar roteiro de compromissos.

8)Você troca o gloss por um batom cremoso.

9)Os assuntos-tabu não incluem mais “pessoas fumantes”, “amigas grávidas” ou “pessoas não-virgens”.

10)Os conselhos que você dá incluem “não esquecer de levar aspirina” numa mala de viagem.

11)Quando você tem uma espinha, recorre à memória para se lembrar do que costumava usar para secá-las.

12)As crianças acham Castelo Rá Tim Bum uma coisa meio...ahnn... ”retrô”.Choram de rir quando alguém diz que a Angélica já foi gordinha e apresentadora de programa infantil. E nem imaginam o que seja “O Mundo de Beakman”.

13)O seu gosto musical passa a atingir coisas cult e nunca d’antes toleradas (exatamente aquelas “músicas chatas” dos seus pais, dentre outras novidades).

14)A sua prima-bebê entra na adolescência e te conta, toda feliz, que está usando soutien e vai dar o primeiro beijo.

15)Na TV a cabo, os canais de desenho animado ficam para segundo plano. E mesmo já sabendo qual é a pauta, os canais de noticiário são aqueles que você assiste.

16)Qualquer balada mais animada causa alguma dor no corpo no dia seguinte.

17)Você pode não se conhecer nem um terço do necessário, mas começa a falar como se auto-conhecimento fosse seu forte: “estou numa fase mais tranqüila agora...”

18)Roupas muito coloridas começam a ser esquecidas no armário e deixadas para “ir à praia”.

19)Um período de um ano não parece mais uma eternidade.

20)Num belo dia, você diz a famosa frase “mas na minha época...”.
"Tempo,tempo mano velho, falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio como zune um novo sedã..."