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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fã

Eu não sei bem desde quando eu espero por esse dia. Pode ser que tenha sido aos 13, quando os acordes de "Corista de Rock" ecoaram na minha cabeça de adolescente desafinada. Ou aos 14, quando eu descobri aquele LP nos guardados da minha mãe. Aos 15, quando adotei "Coisas da Vida" como a "minha" música, para todo o sempre, Amém? Ou com com "Esse Tal de Roque Enrow", "Flagra", "Mamãe Natureza", "Saúde"...

Das letras às histórias, foi um pulo. E logo eu era louca por aquela ruiva doidivanas que conta casos de avó babona depois de ajeitar os óculos redondos e fazer uma careta típica. Pela mulher perdidamente apaixonada pelo marido-companheiro-de-trabalho. Pela adolescente alucinada que lambeu a maçaneta da porta tocada pelos Beatles. Pela senhora que cai da sacada e se sacode. Pela ativista contra os maus tratos aos animais.

Rita Lee Jones talvez seja minha maior paixão musical. Um coquetel de paixão, com mel e limão, on the rocks. Mandei fazer óculos novos, mais fortes, e aguardo com a maior das ansiedades pelo dia 9 de maio. Vou sozinha.

E minhas mãos suam quando percebo a certeza de que vou chorar nesse show.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Opiniões Desnecessárias III(dessa vez, longe das Férias)

Alguém explica a montanha-russa emocional das semanas de provas?

Provas de Constitucional, Economia, Italiano, TPM, paciência...muitas vezes, tudo acontece na mesma semana, e o esgotamento é inevitável. Mesmo depois de estudar um dia inteiro, dá aquela sensação de que ficou faltando alguma coisa, e bem aquilo vai cair na prova. O remédio para a dor de cabeça (essa, também inevitável) acabou depois da última crise de estafa e o mundo gira em frente à bolsa vazia.

E acho que eu desenvolvo tendências à hiperatividade.

Ai, Senhor!

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Sobre o que vem antes do pensar.

Domingo passado li no jornal uma nota curta, acompanhada de uma foto, com o título “Doutorada em Preconceito”. Falava da história de um travesti que ingressou no doutorado em Educação da UFCE. Notoriamente vocacionado para o ensino, sofreu preconceitos como o de perceber o diretor da escola em que estudava plantado diante da porta durante as aulas de reforço que ministrava aos colegas de classe, preocupado com sua “influência”.
Logo abaixo, uma indicação sobre o vídeo com as caras abismadas dos jurados do “Britain’s got Talent” diante melodiosa e nada atraente Susan Boyle, que já virou fenômeno. Típicos exemplos de “beleza interior”.

Preconceito é coisa que todo mundo tem, mesmo, não há como negar. Assim como não dá para negar que esse é um sentimento que só faz limitar.

***

Angústias Musicais

Se existe uma música que me arrepia a nuca quando ouço, ela se chama “Desapariciones”, da deliciosa banda Maná. As histórias de cada estrofe doem, porque fazem a gente pensar nas pessoas que se esfumaçam no ar, desaparecendo sem deixar rastros. Angústia sem comparação.

A dónde van los desaparecidos
busca en el agua y en los matorrales
y por qué es que se desaparecenpor qué no todos somos iguales
y cuándo vuelve el desaparecido
cada vez que lo trae el pensamiento
cómo se le habla al desaparecido
con la emoción apretando por dentro

***

PS: Maria, você assiste "Britain's got talent"?

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Conexões

No domingo de Carnaval eu acordei cedo e fui à missa. Estava chovendo, fazia um tempinho miserável e tudo que eu queria (durante todo aquele carnaval) era me esconder, dormir, e só acordar depois que o tempo já tivesse passado e o resultado do vestibular já tivesse saído. Eu estava pálida pela ansiedade, e não conseguia vestir nada mais alegre que uma roupa preta. Mas a buzina na porta da minha casa e o sorriso por trás do vidro embaçado pela chuva me fizeram entender que eu simplesmente ia encontrar alguma razão bacana e edificante para ir àquela missa.

Chegando lá, éramos eu, o sorriso, e mais meia dúzia de pessoas dentro da igreja. Quando o padre começou o sermão, eu entendi o porquê de estar lá, e justo com aquela companhia. O assunto era afinidade.

Ele dizia que a gente não pode escolher com quem tem afinidade, que aquele era um sentimento que nos era dado de presente sem maiores explicações; justamente a falta de nexo nessas ligações é que trazia toda a graça. Que os verdadeiros amigos não precisavam de motivos para sê-lo: basta a conexão simples que faz com que o assunto flua naturalmente e a risada aconteça (ou até mesmo o choro, em momentos menos agradáveis). A cumplicidade real nasce da gratuidade.

A afinidade abre espaço para o afeto, e o afeto se apresenta naquelas situações nas quais não se consegue explicar a razão pela qual você faz alguma coisa por aquele outro, mas faz. Ele nem é seu parente, mas você não precisa fazer nada em especial na companhia dele. Você não deve nada a ele, mas sente a necessidade de mandar notícias sempre que possível, e receber respostas. Sem necessidade de satisfações, a família "sanguínea" cresce e ganha um agregado. Nesse dia, saímos da missa e fomos para a minha casa, conversar algum assunto inventado na hora.

Nesses dias tensos, esse sorriso (suave ou debochado) dissipou minha ansiedade, me carregou para o carnaval em Rio Preto, velou pela minha insônia e comemorou comigo quando tudo aconteceu do jeito certo. Quando as coisas ficam nebulosas, é esse ouvido que me ouve. Quando acontece algo bom, é o telefone dela que toca. De vez em sempre, eu agradeço por esse "presente", tão afinado com o meu pensamento. Amiga é pouco para essa irmã que se sacrifica junto comigo, sem nem perguntar o porquê.

***
"É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo 'por vir'. É ao mesmo tempo espelho que te reflete, e óleo derramado sobre suas águas agitadas(...)"