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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Opiniões Desnecessárias III(dessa vez, longe das Férias)

Alguém explica a montanha-russa emocional das semanas de provas?

Provas de Constitucional, Economia, Italiano, TPM, paciência...muitas vezes, tudo acontece na mesma semana, e o esgotamento é inevitável. Mesmo depois de estudar um dia inteiro, dá aquela sensação de que ficou faltando alguma coisa, e bem aquilo vai cair na prova. O remédio para a dor de cabeça (essa, também inevitável) acabou depois da última crise de estafa e o mundo gira em frente à bolsa vazia.

E acho que eu desenvolvo tendências à hiperatividade.

Ai, Senhor!

***

Sobre o que vem antes do pensar.

Domingo passado li no jornal uma nota curta, acompanhada de uma foto, com o título “Doutorada em Preconceito”. Falava da história de um travesti que ingressou no doutorado em Educação da UFCE. Notoriamente vocacionado para o ensino, sofreu preconceitos como o de perceber o diretor da escola em que estudava plantado diante da porta durante as aulas de reforço que ministrava aos colegas de classe, preocupado com sua “influência”.
Logo abaixo, uma indicação sobre o vídeo com as caras abismadas dos jurados do “Britain’s got Talent” diante melodiosa e nada atraente Susan Boyle, que já virou fenômeno. Típicos exemplos de “beleza interior”.

Preconceito é coisa que todo mundo tem, mesmo, não há como negar. Assim como não dá para negar que esse é um sentimento que só faz limitar.

***

Angústias Musicais

Se existe uma música que me arrepia a nuca quando ouço, ela se chama “Desapariciones”, da deliciosa banda Maná. As histórias de cada estrofe doem, porque fazem a gente pensar nas pessoas que se esfumaçam no ar, desaparecendo sem deixar rastros. Angústia sem comparação.

A dónde van los desaparecidos
busca en el agua y en los matorrales
y por qué es que se desaparecenpor qué no todos somos iguales
y cuándo vuelve el desaparecido
cada vez que lo trae el pensamiento
cómo se le habla al desaparecido
con la emoción apretando por dentro

***

PS: Maria, você assiste "Britain's got talent"?

domingo, 15 de março de 2009

Hábitos Documentados

Estava eu assistindo ao meu vício dos inícios de ano –Big Brother, quando Pedro Bial fez a pergunta que me calou: do que vocês sentem mais falta (não valendo falar em família e amigos)?

Limitados que só (talvez seja essa a graça do reality show: curar o nosso complexo de inferioridade, mostrando gente-mais-tosca-que-a-gente), eles responderam coisas bem repetidas, tipo Internet. E, como eu adoro essas coisas, já estava me imaginando no lugar deles para responder a pergunta.

As pequenas liberdades da vida são as que mais fazem falta. A liberdade de ir à padaria na hora em que se bem entende, e escolher um pão mais moreno; de olhar vitrines, ainda que sem comprar nada; de escolher a hora de dormir, acordar e tomar banho; de ir ao cinema sozinha, para ver o filme que ninguém mais quer assistir; para falar ao telefone, ouvir música na maior altura ou pegar um ônibus atrasadíssima só porque encontrei um conhecido na rua.

Permanentemente observados, os brothers perdem a oportunidade de viver em off, que é onde as melhores coisas acontecem. A menos que se seja alguém bastante exibicionista ou cafona, não se é pedido em casamento em rede nacional. E aí mora o outro ponto que mais prende os espectadores do programa: a coragem de pagar um preço tão alto por dinheiro...ou só por promoção, mesmo.

Junto a tudo isso, lembrei de um texto da Martha Medeiros (“Capturados”), que falava sobre a necessidade de documentar tudo que ela observava ao redor: "Me pergunto: se você não documentar suas experiências e emoções, elas deixam de existir? Você deixa de existir? Não deveria, mas dá a impressão que sim."

Os Big Brothers vivem o oposto disso: na sua superexposição, o que ganha mais valor é aquilo que não pode ser documentado.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Meu trabalho é me traduzir...



Há algum tempo tenho vivido situações repetidas. Um verdadeiro disco arranhado e que para variar, eu sei bem o final. Hoje – na verdade ontem – escutei mais uma das incansáveis músicas desse repertório batido. E lá vem todo o drama.

Sabe-se lá o que fazer nessas tais melodias, mas garanto que estou aprendendo como não agir. Às vezes, o rumo do mundo me assusta. Pergunto-me onde tudo isso vai parar.

De repente surge uma solução/tentativa de melhorar ou pensar... Escuto o mestre Caetano... Lembro que “não me amarra dinheiro não, mas os mistérios”. Logo depois eu penso que o motivo da minha tristeza “é um estandarte da agonia”, e talvez não mereça a minha aflição.

Tento passar ao coração um pouco de tranqüilidade, mas não obtenho resultados. Olho a Lagoa e imagino como seria bom navegar em mares calmos, sem sobressaltos, sem toda essa confusão, deixando para trás qualquer tipo de turbilhão. Se tivesse que definir a minha vida seria parecido com o mar no dia de ressaca, bravo, forte, sem anunciar nada somente o risco. Depois, só resta o rastro do estrago. Será que passa?

O meu cd, que está longe de acabar, entoa “Trilhos Urbanos”, imagino que realmente “o melhor o tempo esconde, longe muito longe”. Talvez “aquela curva aberta, aquela coisa certa, não dá para entender”. E que para variar o meu trabalho – diferente da música – é me traduzir.