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sábado, 14 de novembro de 2009

Dane-se

Claro que é piegas, mas têm umas coisas que fazem com que a gente releve todas as outras. Dessas que fazem com que a gente mergulhe de cabeça no clichê para rir de tudo.
Um depoimento, um sorriso e uma cigarra (sim, uma cigarra) fizeram com que eu desse de ombros para uma semana de desespero absoluto.
Eficácia horizontal dos direitos fundamentais, pilhas de roupas sujas, ônibus tomados em vão, computadores inúteis que não salvam coisas, chuva, chuva, chuva, um extrato bancário nem sempre agradável, estágio sem internet, remédios para dor, estantes de livros por arrumar, meia hora de choro e ranger de dentes antes da meia noite, rotinas médicas, a casa esperando por limpeza, o armário da cozinha esvaziando, sombrinha quebrada, haste dos óculos quebrada, unhas quebradas...
Ah, dane-se! A Vanessa da Matta está cantando no som.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Coletivos

Eu tenho mania de observar as pessoas no ônibus. Aquele ato rotineiro de usar a condução pode revelar muito sobre as pessoas...mas, às vezes, eu me decepciono um bocado com a maneira que elas podem ser ardilosas. Isso aconteceu nessa semana, por duas vezes.

Na primeira situação, eram umas 7h da manhã e eu reparei que uma mulher (particularmente, bem feia) conversava intimamente com o trocador, provavelmente pensando que ninguém reparava. Ela ria dele, e os dois combinavam alguma coisa para o fim de semana. Num olhar de relance, reparei a aliança brilhando na mão esquerda dele: para ele, aquilo parecia indiferente, assim como a mulher risonha na frente dele. Ela falava sobre a mulher dele de um jeito vulgar “você pensa que eu nunca fui até a sua casa? Eu sei como ela é, a Ana”...o mais curioso é que as duas tinham o mesmo nome, e a cada vez que ela dava uma gargalhada, eu tinha a impressão de que o cara a desprezava um pouco mais.

Desci do ônibus pensando nas duas Anas, e senti pena de ambas. Da primeira pela vida escondida do marido, pelos dias em que ela esperou por ele e ele não apareceu, pela desconfiança que deve viver semeada nela. Da segunda pela sua sensação falsa de ser amada, pela sua alegria infantil que faz com que ela perca a sua juventude com alguém que só a quer pelo gosto do proibido, pelo seu amor-próprio cego que não a deixou perceber o desprezo do amante, também apaixonado por ele mesmo.

Passados uns dois dias, eu descia da Universidade quando uma menina sentou na minha direção. Ela chorava copiosamente, e me deu uma curiosidade absurda de perguntá-la o que estava acontecendo, se eu podia ajudar, sabe-se lá. No ponto seguinte, subiu uma mulher, que parecia ser alguma tia dela, pela semelhança física. Quando ela viu a menina, sentou-se ao lado dela, perguntou o que estava havendo. Ela tinha sido dispensada pelo noivo. Ao invés de ajudá-la ou consolá-la, a mulher falou um caminhão de asneiras, aos gritos. Pelo que eu consegui entender, ela achava que a garota precisava se casar com o cara pelo dinheiro que ele tinha, e nem se importava com o fato de ele nem gostar mais dela. O importante era o golpe do baú, e, por isso, achava a sobrinha uma incompetente, com todas as letras bem gritadas.

Desci do ônibus antes do ponto.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Em Busca da Pauta Perfeita

As pessoas sempre estão em busca de alguma coisa. Mesmo que às vezes sem perceber normalmente almejamos algo que em alguns casos nem sabemos o que é.

Não sei bem por que isso acontece, mas é fato: acontece. Às vezes nossas procuras são interiores – paz interior e coisas do tipo – ou exteriores – namorados, estágios e tudo o mais.

Enfim, essa volta toda é para chegar ao meu ponto, a busca da pauta perfeita. Sim, em tempos de avaliação final do semestre nos vimos malucos para achar uma boa história para ser contada. Ok... Eu sei que maioria vai dizer que não achar de pauta é falta de interesse. Talvez seja sim, visto que hoje as pautas interessantes são os freaks shows da vida real. Acho que estou desinteressada, pelo caso Isabella, pelo dossiê da Dilma, pela bolsa ditadura e por ai vai.

Não duvido que essas questões sejam de fato muito importantes, porém, me recuso a pensar em fazer coro para o que vêm sendo dito a respeito desses casos. Sinceramente eu acho que já chega de especular como foi ou deixou de ser aquela noite no apartamento dos Nardoni. Na boa isso não é ficção, é vida real – e vale dizer das piores. Acho que quem deve tomar as providências é a polícia! E tenho dito! No caso do dossiê é mais complicado afinal, é o meu, o seu, o nosso dinheiro que vai sendo subtraído por primeiras damas ou sei lá quem seja. O que preciso deixar claro é que todas as primeiras damas que gastam dinheiro público – sem ser o que vêm de seus lindos maridinhos – têm que prestar contas sim! Que papo é esse? Nunca soube que primeira dama era emprego público. Enfim ando sabendo de tão pouca coisa que isso pode ter sido institucionalizado e eu não sei. Não acredito em dossiê, acredito em planilha – é preciso dizer: planilha pra mim é justíssimo!

Ok, já perdi tempo demais com assuntos que eu não quero falar. Voltando ao papo das buscas. Imitando o D2 eu estou em busca da pauta perfeita. Eu sei que ela não existe, mas não custa tentar achar. Quero uma pauta que seja uma conversa despretensiosa – dessas que temos em boteco, com o cara da padaria – que represente e de conta das teorias fajutas e divertidas que encontramos em lugares insólitos. De preferência que trate das banalogias alheias da vida e do mundo. Estou em um momento avessa a hard news, óbvio que isso não é para sempre – até porque eu faço jornalismo – mas no momento estou a fim de rir e contar os pequenos detalhes da vida, as conversas infundadas com taxistas, com colegas e professores. Enfim estou em busca da pauta perfeita.



P.S: Esse texto foi escrito há duas semanas, portanto antes do processo da Dilma ser arquivado e dos últimos acontecimentos.