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sábado, 14 de novembro de 2009

Dane-se

Claro que é piegas, mas têm umas coisas que fazem com que a gente releve todas as outras. Dessas que fazem com que a gente mergulhe de cabeça no clichê para rir de tudo.
Um depoimento, um sorriso e uma cigarra (sim, uma cigarra) fizeram com que eu desse de ombros para uma semana de desespero absoluto.
Eficácia horizontal dos direitos fundamentais, pilhas de roupas sujas, ônibus tomados em vão, computadores inúteis que não salvam coisas, chuva, chuva, chuva, um extrato bancário nem sempre agradável, estágio sem internet, remédios para dor, estantes de livros por arrumar, meia hora de choro e ranger de dentes antes da meia noite, rotinas médicas, a casa esperando por limpeza, o armário da cozinha esvaziando, sombrinha quebrada, haste dos óculos quebrada, unhas quebradas...
Ah, dane-se! A Vanessa da Matta está cantando no som.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Algemas

Ela consentiu aquela algema, com um sorriso nos lábios e uma lágrima dançando no canto dos olhos. Afinal de contas, mesmo feliz, ela não deixava de ser uma grande chorona. Logo saiu mostrando o seu presente para todo mundo, até que uma amiga mais libertina a alertou para o real significado daquilo: isso é para te prender o tempo todo. Ela bem que gostou da ideia.

Olhar para o braço se tornou gesto repetido de lembrança e carinho, com as três estrelas reluzindo seu símbolo preferido. E ela ria muito quando se lembrava das palavras da amiga.

Sem querer, ela não sabia mais onde havia guardado o símbolo do amor que foi construído cuidadosamente, mesmo depois de revirar toda a casa; tinha náuseas de desespero. Entre lágrimas (como deixá-las de lado, hein?), confessou seu medo.

E descobriu que o Amor sobrevive às algemas.

domingo, 31 de agosto de 2008

Água e Sal

Há tempos tenho tentado alinhavar um texto sobre o choro, ação que humaniza e revela tanto sobre a nossa natureza sentimental. Tudo que eu escrevo soa excessivamente confessional, quase piegas.


Tem gente que acha que choro é uma breguice. Julgam-no manifestação de uma fraqueza vergonhosa, que deveria permanecer escondida em algum nó da garganta. Discordo com veemência dessa gente que se engasga, mas não grita.


Quem contém o choro guarda dentro de si a mágoa, a tristeza, a angústia, o cansaço, e isso são só os sentimentos negativos; quem não chora perde a chance de externar com decência o orgulho, a sensação de dever cumprido, a alegria pura e simples. Quem segura tanta coisa deixa de crescer com essas emoções, e um dia a vida cobra de volta tanta oportunidade jogada fora.


Eu não sou emo, mas choro mesmo. Em particular ou em público, despacho minhas lágrimas de acordo com a minha necessidade. Já chorei mais do que choro hoje, ainda que eu tenha no presente mais problemas do que tive anteriormente. Mas ainda me permito ficar com os olhos rasos d’água, e sou grata à minha visão sensível de mundo: ela pode não enxergar tudo, mas tem horizontes extensos.


Porque tem que ser muito gente para chorar.


***

Vem, soleníssima,

Soleníssima e cheia

De uma oculta vontade de soluçar,

Talvez porque a alma é grande e vida pequena,

E todos os gestos não saem do nosso corpo

E só alcançamos onde o nosso braço chega,

E só vemos onde chega nosso olhar.

(Álvaro de Campos- heterônimo de Fernando Pessoa)


***

Peço desculpas pelo estado de semi-abandono que eu tenho deixado o blog. A vida de estudante desperiodizada, dona-de-casa, filha saudosa da casa e namorada (sim,namorada!) não tem me deixado muito tempo para escrever. Mas acertarei meus ponteiros com a escrita...

:)